terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Olhos de Boneca

Uma boneca de porcelana na estante. Inofensiva: com sua pele lisa e rosada, seus olhos azul-piscina esbugalhados, seu cabelo ruivo encaracolado  adornado com uma pequenina tiara e seu vestidinho de babados. É ela que mais me dá medo, é o retrato do que gostariam que eu fosse. Mas é apenas uma representação de uma criança inexistente, e que eu sempre odiei. Odeio aqueles olhos grandes.
Aqueles olhos claros e brilhantes sempre refletiram para mim minha própria ruína, que eu preferi ignorar todos esses anos. Não aceitei que um dia estaria de tal maneira. Os dias e os anos passaram. Não me livrei do brinquedo de menina, somente evitava mirá-la, principalmente nos olhos. Penso que a mantive em seu lugar esperando provar que eu estava certa.
E agora, só o que faço é olhar para a boneca, para aquele rosto angelical e delicado que é meu pesadelo. Dia e noite. E aqueles olhos mostram-me aquela mesma cena de sempre, que agora também está estampada num grande espelho lateral. 
03/01/2009

sábado, 3 de janeiro de 2009

Marteladas na cabeça.

Assim são certas pessoas que conheço. Ou melhor, que não conheço, afinal não conheço nem a mim mesma direito. E é exatamente por isso que elas são como marteladas.
Um movimento meu. Uma pancada, e com ela, a confusão.
Uma solução encontrada. Outra pancada, e com ela outro movimento.
É um ciclo.
E assim sigo, com pancadas e pancadas na minha cabeça. (risos) E é só ver no que dá.

Do fundo do baú.

Escrevi isso em 2007. Pra ser mais exata no dia 30 de julho. Pensando numa amiga minha e numa situação pela qual ela estava passando, e que, ainda bem, ficou totalmente para trás.

"Não vale a pena sofrer,
por ninguém,
talvez nem por si mesmo.
Somos todos egoístas,
você vai ver.
E não adianta negar!
Aproveite sua vida ao invés de chorar!"

É, pena que não é bem assim que funciona...